Dois suspeitos de planejar ataque em eleições da França são presos

Homens foram presos em Marselha; serviços de segurança haviam enviado aos candidatos à presidência fotos deles como alerta. Bandeira do Estado Islâmico, além de armas e explosivos, foi encontrada.

Dois homens foram presos em Marselha, no sul da França, sob a suspeita de planejar um ataque para a próxima eleição presidencial do país, informou o ministro do Interior Matthias Fekl. Eles têm 29 e 23 anos, são “de nacionalidade francesa” e “radicalizados”.

Os dois homens, vigiados pela polícia por radicalização, já haviam sido presos por outros delitos sem relação com o terrorismo, de acordo com uma fonte próxima à investigação.

A polícia acrescentou que um dos dois tinha se convertido ao radicalismo islâmico durante um período na prisão.

O procurador de Paris, François Molins, afirmou mais tarde que durante as buscas na casa dos suspeitos foram encontradas uma bandeira do grupo Estado Islâmico, material de propaganda jihadista, várias armas e explosivos. Segundo ele, um dos suspeitos estava planejando declarar aliança ao grupo extremista e o outro tinha ligação com uma célula jihadista na Bélgica.

Nas buscas em Marselha foram encontrados “elementos que permitiriam materializar este ataque”, afirmou o primeiro ministro, acrescentando que estavam sendo realizadas no local “operações de segurança e de desminagem”.

Fotos distribuídas pelas agência de notícias Associated Press mostram os suspeitos, identificados como Mahiedine Merabet e Clement Baur, ambos de nacionalidade francesa.

Candidatos foram alertados

Fotos dos dois homens haviam sido distribuídas pelos serviços de segurança dos candidatos às eleições presidenciais na semana passada. “Meu serviço de segurança recebeu as fotos na quinta”, segundo a ultradireitista Marine Le Pen, enquanto que um assistente do centrista Emmanuel Macron também confirmou tê-las recebido. O conservador François Fillon também foi alertado do perigo, afirmou um assistente.

“Tudo está pronto para garantir a segurança do primeiro turno da eleição presidencial”, que acontece dia 23 de abril, afirmou Matthias Fekl, ressaltando, contudo, que “o risco terrorista é maior do que nunca”.

Mais de 50 mil policiais e gendarmes, apoiados por militares da operação Sentinela, serão mobilizados para garantir a segurança durante a votação de domingo, principalmente nos arredores dos 67 mil colégios eleitorais.

A França votará por um novo presidente no dia 23 de abril, com um segundo turno no dia 7 de maio. Mais de 230 pessoas morreram em ataques relacionados ao radicalismo islâmico no país nos últimos dois anos.

Incerteza para o segundo turno

As acusações de empregos fictícios contra François Fillon e Marine Le Pen, a irrupção do jovem “progressista” nem de direita nem de esquerda Emmanuel Macron e o carisma do ícone da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon agitaram a eleição, em que cerca de 30% dos eleitores ainda não sabem em quem votar.

A diferença diminuiu nos últimos dias entre os quatro principais candidatos.

“Quatro cabeças para um quebra-cabeça”, resumiu nesta terça-feira o jornal “Libération”, observando a situação “extraordinária e sem precedentes” no país, depois de uma campanha marcada por reviravoltas.

“Durante quase todas as eleições presidenciais, os finalistas para o segundo turno já estavam definidos desde fevereiro/março. Desta vez a incerteza é real”, ressalta Frédéric Dabi, do instituto de pesquisas Ifop.

Neste contexto, os candidatos estão redobrando os esforços para convencer os indecisos e aqueles tentados a não votar.

“O fato importante é o comportamento dos abstencionistas, muito mais numerosos do que em eleições anteriores”, observa Frédéric Dabi.

“Foram 20% em 2012, 18% em 2007, e desta vez giram em torno de 30%”.

Um dia após uma demonstração de força em Paris, onde reuniu 20.000 partidários, Emmanuel Macron passeou nesta terça-feira pelos corredores do mercado de Rungis, ao sul de Paris.

“Convencido de estar no segundo turno”, François Fillon visita nesta terça-feira o norte da França.

Após navegar pela região parisiense na segunda-feira, Jean-Luc Mélenchon deve realizar um comício por meio de holograma em seis cidades.

Marine Le Pen estará na quarta-feira no grande porto mediterrâneo de Marselha, um dos seus redutos, depois de ter defendido na segunda-feira uma “moratória” sobre a “imigração legal”.

g1

18/04/2017

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