Ex-subsecretário do RJ comprou carro de luxo com desvios da Linha 4 do Metrô, diz MPF

Luiz Carlos Velloso foi denunciado pelo Ministério Público Federal, junto com a esposa e o irmão. Empresa deste teria comprado carro de R$ 125 mil para ocultar real proprietário.

A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Luiz Carlos Velloso, ex-subsecretário de transportes do Estado do Rio no governo Sérgio Cabral, afirma que parte dos desvios das obras da Linha 4 do Metrô do Rio serviram para pagar um carro de luxo do ex-secretário. Além disso, serviu para bancar o colégio particular dos filhos do acusado e uma série de transferências bancárias para a mulher dele.

O carro em questão, uma Mercedes Benz C180 avaliada em R$ 125 mil, foi comprada em nome da empresa de Juscelino Gil Velloso, irmão de Luiz Carlos. O MPF garante que a compra foi feita “com a finalidade de converter o dinheiro recebido a título de propina em ativo lícito e ocultar o real proprietário.” Por isso, Gil também foi denunciado.

O G1 ainda não conseguiu contato com a defesa de Luiz Carlos Velloso e de Juscelino Gil Velloso.

Os procuradores alertam que os denunciados estavam conscientes do “gasto exorbitante” que não seria compatível ao salário de um funcionário público e, por isso, pagaram o veículo em duas notas fiscais da empresa.

O total desviado por Velloso, segundo o MPF, chega a R$ 600 mil. O dinheiro era oriundo da Carioca Engenharia, uma das empreiteiras responsáveis pela obra que ligou Ipanema à Barra da Tijuca sob trilhos. Participaram da obra da Linha 4 ainda a Queiroz Galvão e a Odebrecht.

As vantagens indevidas seriam fruto do sobrepreço orçado pelas empreiteiras. Os pagamentos variavam entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, diz a denúncia.

Mulher também foi denunciada

Já as transferências bancárias foram feitas centenas de vezes, desde 2012, à conta da mulher de Luiz Carlos, Renata Loureiro Borges Monteiro.

O MPF defende que os valores eram feitos em pequenas parcelas para escapar dos órgãos de controle numa prática conhecida como smurfing (fracionamento). E cita ainda que a movimentação financeira era incompatível com a renda do casal . Renata está desempregada desde 2011. O G1 ainda não conseguiu o contato do advogado de Renata.

Os procuradores citam ainda que, “em razão de grandes eventos (Copa e Olimpíadas)”, a Secretaria de Transporte executou contratos bilionários. Mas afirmam também que a organização criminosa capitaneada pelo ex-governador Sérgio Cabral esteve presente em várias secretarias de Estado.

20/04/2017

 

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