Mulher impede tanque de avançar em Caracas em imagem semelhante à da Praça da Paz Celestial

Foto viraliza; três pessoas morreram no protesto de quarta-feira

Em meio à confusão de gases, gritos, corridas, desespero e ataques, uma mulher permanece parada diante de um blindado do Exército venezuelano, impedindo a sua passagem. A cena traz à memória a histórica imagem do manifestante anônimo que se colocou na frente de uma coluna de tanques na Praça Celestial em Pequim, em 1989, em uma série de protestos contra o governo chinês — com um alto nível de repressão.

O vídeo da manifestante de calça comprida, blusa branca e envolvida em uma bandeira de seu país viralizou e circula a internet como um símbolo de resistência, após um dia de intensos protestos fortemente reprimidos e marcados pelas mortes de três pessoas — duas delas que sequer participavam das manifestações e de um guarda, afirma O GLOBO.

O gesto da manifestante gerou admiração pela atitute pacífica, mesmo depois que os agentes que estavam dentro do blindado lançaram uma bomba de gás lacrimogênio para afastá-la. O tanque recua, mas ela anda em direção a ele, tentando proteger o rosto com as mãos.

Na quarta-feira, 19, aconteceu na capital, Caracas, e nas principais cidades do país uma manifestação maciça contra o governo venezuelano, num momento em que a Venezuela enfrenta uma grave crise econômica e política. O protesto ficou conhecido como “a mãe de todas as marchas”, nos quais os participantes pediam eleições, a libertação de presos políticos e o fim da escassez de produtos.

Mas as manifestações foram marcadas também pelo alto nível de repressão e enfrentamento. Uma das vítimas foi identificada como Carlos José Moreno, de 17 anos, que morreu após ser baleado na cabeça por supostos membros dos grupos armados em São Bernardino, um dos pontos de concentração da marcha que pretendia chegar à Defensoria do Povo, em Caracas. Segundo amigos, ele estava indo para uma partida de futebol. A segunda morte foi de Paola Ramírez Gómez, assassinada com um tiro à queima roupa. A oposição responsabilizou grupos paramilitares ligados ao governo pelos crimes. O terceiro foi um membro da Guarda Nacional Bolivariana. Um novo protesto foi convocado para esta quinta-feira.

Internautas lembraram a semelhança entre a foto da mulher e a da capital chinesa. Em 1989 ocorreu em Pequim uma série de manifestações populares lideradas por estudantes em meio a acusações de corrupção contra o governo, inflação e desemprego. Os protestos aconteceram durante o período de 15 de abril a 4 de junho daquele ano. O ato recebeu o nome do lugar em que o Exército Popular de Libertação suprimiu a mobilização, a Praça da Paz Celestial. O ato do dia 4 de junho ficou conhecido também como Massacre da Praça da Paz Celestial. No dia 5 de junho, um jovem solitário e desarmado invadiu a praça e fez parar uma fileira de tanques de guerra. O fotógrafo Jeff Widener, da AP, registrou o momento, e a imagem estampou os principais jornais do mundo. O rapaz foi eleito pela revista “Time” como uma das pessoas mais influentes do século XX. Sua identidade e paradeiro são desconhecidos até hoje.

20/04/2017

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