Polícia analisa imagens de câmeras de segurança de hotel de luxo onde casal foi achado morto em SP

Principal hipótese é a de que rapaz atirou na namorada e depois se suicidou. Vídeos com os estudantes não foram divulgados pela investigação.

Policiais civis que investigam a morte de um casal de namorados no Hotel Maksoud Plaza, no domingo (16), analisam imagens de câmeras de segurança do local, informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo. Os vídeos não foram divulgados. A principal hipótese é de que Luis Fernando Hauy Kafrune, de 19 anos, atirou na namorada, Kaena Novaes Maciel, de 18, a matando, e depois se suicidou.

Em entrevista na segunda-feira (17) ao G1, o delegado Gilmar Pasquini Contrera, titular do 5º Distrito Policial (DP), na Aclimação, afirmou que investiga se os estudantes fizeram um pacto de morte.

“Pelo que foi colhido no local, tudo leva a crer que existe esse pacto de morte”, disse Contrera, que baseia essa hipótese principalmente nos registros feitos, aparentemente pelo próprio casal, em cadernos achados no quarto. Também foram encontradas duas folhas de papel com as inscrições “passos” de “como aproveitar a morte”.

Foram apreendidos pela polícia no quarto 1509 do 15º andar do hotel de luxo diários, agendas e papéis manuscritos atribuídos aos estudantes, com menções a suicídio, e uma pistola que teria sido furtada do padrasto de Kaena. A arma foi encontrada na mão de Luis.

Segundo a SSP, os documentos foram encaminhados ao Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD) para confronto de impressões digitais. Os parentes dos dois jovens deverão ser ouvidos nos próximos dias.

O casal, que havia reatado recentemente, tinha se encontrado no sábado (15) dizendo que iria a um shopping, mas depois se hospedou no Maksoud Plaza, na Alameda Ribeirão Preto, área nobre da cidade.

A família havia descoberto que Kaena estava no hotel por causa do rastreador de celular. Após serem procurados pelos familiares do casal, funcionários do Maksoud Plaza teriam acionado a polícia, que entrou no quarto e encontrou o casal já sem vida, na cama.

Investigação

O caso foi registrado inicialmente no plantão do 78º DP, Jardins, como homicídio seguido de suicídio, mas o delegado informou que o inquérito policial foi instaurado como “morte suspeita a esclarecer” porque ainda aguarda os laudos técnicos para compravar que Luis matou Kaena e se suicidou.

“Ainda dependo dos laudos técnicos para comprovar que foi mesmo o rapaz que matou a namorada e se matou em seguida”, disse Contrera, que pediu, além do exame necroscópico no casal, a realização do residuográfico, sexológicos, de dosagem alcoólica e toxicológico. O delegado considera a hipótese de a motivação ser ciúmes mais “remota”.

Por conta do mistério que envolve a motivação do crime, o delegado também orientou os investigadores a rastrearem as redes sociais do casal, e pegarem os depoimentos de familiares para traçarem o perfil de Luis e Kaena. O objetivo é saber o que teria levado os dois a decidirem morrer.

“Vamos ver se eles teriam se valido desses métodos para praticar o suicídio”, disse Contrera, se referindo ao “jogo da Baleia Azul” e à série “13 Reasons Why”, da Netflix.

O “jogo da Baleia Azul” é disputado pelas redes sociais e propõe 50 missões aos adolescentes, como bater fotos assistindo filmes de terror, automutilar-se, ficar doente e, por fim, cometer suicídio. O fenômeno que aparentemente começou na Rússia se espalhou e chegou ao Brasil, com suspeitas de casos ocorridos no Mato Grosso e na Paraíba.

A série “13 Reasons Why”, baseada no livro homônimo de Jay Asher, conta a história da adolescente Hannah, que se mata e deixa 13 fitas gravadas para 13 pessoas que ela acredita serem as responsáveis por seu suicídio.

g1

18/04/2017

 

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